O último banco da praça
Quando reformaram a praça, retiraram os bancos antigos. Todos, menos um.
Nele sentava um senhor às sete da manhã, uma estudante ao meio-dia e dois adolescentes ao entardecer. Nenhum deles se conhecia.
Quando anunciaram que o último banco também seria removido, os três apareceram na mesma reunião de bairro. Cada um defendia uma praça diferente: o senhor falava de memória, a estudante de descanso, os jovens de encontro.
Descobriram então que o banco não pertencia a uma geração.
Pertencia ao intervalo entre elas.
Pergunta Saturno: que espaços permitem convivência sem exigir consumo?
